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( 8 )115populações indígenas uma educação diferenciada para maior inclusão social. Como consequência, cada país tem buscado identificar e construir formas específicas de oferta de educação, produzindo-se um enriquecimento e diversificação das reformas educativas relativas às sociedades indígenas (Monte, 2000). Por exemplo, enquanto a Nicarágua busca solidificar a educação indígena como forma de aumentar a autonomia e o desenvolvimento da Costa do Caribe, a Guatemala a implementa no contexto dos acordos de paz e do desenvolvimento sustentável. Países como o México e o Chile estão dando ênfase à flexibilidade curricular e a programas compensatórios enquanto que no Brasil defende-se novas organizações curriculares baseadas no pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. A Colômbia, por outro lado, relaciona a educação indígena ao reconhecimento constitucional da territorialidade, enquanto que a Bolívia, com sua vasta população indígena, a tenta implementar como uma política única para todo o sistema educacional.De fato, o que se observa na Bolívia, é uma tendência que começa a ser observada em outros países do continente também. Nos últimos anos, tem-se registrado uma mudança de paradigma a respeito da educação intercultural. Inicialmente, a EIB estava associada apenas às crianças indígenas, contudo hoje ela é considerada uma modalidade para todo o sistema educacional, não só para os povos indígenas, mas para o conjunto da população no sistema educativo. As evidências disponíveis sugerem que a educação intercultural bilíngue foi em geral positiva nos países da região que a implementaram (UNESCO, 2013).No entanto, apesar da diversificação e originalidade das reformas educativas sendo implementadas no continente junto às populações indígenas, ainda há carência de políticas educacionais culturalmente adequadas no sentido de também levarem em conta as estratégias próprias de vivência sociocultural, sendo a prática pedagógica uma delas, assim como as crenças epistemológicas dos diferentes povos indígenas. A falta de mecanismos de participação efetiva das comunidades indígenas nas decisões políticas e nos projetos de ensino e aprendizagem também se constitui em um problema sério a ser resolvido visto que, na grande maioria das comunidades indígenas, a construção e transmissão de conhecimento não se dá de forma isolada, mas sim dentro de um contexto social no qual cada membro da sociedade tem sua função e seu valor. Em outras palavras, é essencial que as tradicionais práticas pedagógicas indígenas sejam introduzidas em qualquer tentativa de implementação de programas educacionais junto a esses povos. Afinal, a preservação e transmissão desses aspectos culturais devem ser vivenciados e reproduzidos pelas novas gerações para que possam ser internalizados e valorizados por elas. Impor práticas educacionais que não permitam essa participação social significa ignorar suas heranças socioeducativas e subjugá-los culturalmente.Por uma nova abordagem para a educação escolar indígenaFerraz e Domingues (2016), fizeram um levantamento de todos os estudos realizados no Brasil que relacionam a temática indígena à psicologia moderna. Segundo seus resultados, elas observaram que os escassos estudos que fazem essa relação são caracterizados, por um lado, pela interdisciplinaridade em suas abordagens e, por outro, pela falta de um referencial teórico bem definido específico da área da psicologia.No que se refere à educação, por exemplo, é fácil de se observar que as práticas educacionais, metodologias de ensino assim como as crenças epistemológicas (i.e., crenças sobre o que é e como se adquire o conhecimento) dos diversos povos indígenas do país e do continente ainda não foram estudadas desde o ponto de vista da psicologia educacional e cognitiva. Considerando-se a diversidade cultural indígena na América Latina assim como a necessidade de se criar políticas educacionais culturalmente adequadas no sentido de também levarem em conta as estratégias próprias de vivência sociocultural dos diferentes povos, é imprescindível que estudos com essa abordagem sejam feitos para garantir que as tradicionais práticas e crenças pedagógicas indígenas sejam incorporadas nos projetos educacionais que visam essas populações.No próximo artigo desta série, o autor visa, fundamentando-se nos princípios da psicologia educacional e cognitiva, fazer uma análise das crenças epistemológicas e de práticas pedagógicas mantidas por diversos povos indígenas, situá-las dentro da moderna teoria da aprendizagem e com base nessa análise delinear em detalhes uma abordagem educacional com o intuito de aumentar a especificidade assim como a qualidade da educação escolar indígena oferecida na região.A hipótese que permeará esta abordagem é que os povos indígenas são mais ou menos suscetíveis às práticas modernas de educação escolar de acordo com as suas práticas pedagógicas tradicionais e suas crenças sobre o que é o conhecimento e como ele pode ou deve ser adquirido. Por exemplo, de acordo com a crença epistemológica sobre a "origem do conhecimento", as pessoas podem acreditar que ele pode ou deve ser recebido de uma figura de autoridade (e.g., professor, líder religioso etc.) ou que pode ou deve ser

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